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Notícia - 14/02/2017

Queridos filhos do casal ELVIRA & MILTO

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Finalizava os anos 50, quando este histórico casal deixava os ventos quebrados pelo serrote Quinamuiu, e as águas mansas do seu vizinho rio Trici, para uma nova vida de busca na Marechal Deodoro, bem próximo aos meus avós Augusto & Rosa.

Ali, a marcada dedicação pela educação dos filhos NUBIA, PERBOYRE, NEUMA e MILTINHO chegava ao clímax, deixando o carbono e a água tauaense da serra e do rio que fundaram seus corpos e reviraram suas almas.

Assim, fizeram – se homens e mulheres os filhos daquele casal transbordante de amor e trabalho por eles, e assim, servirem à sociedade de Fortaleza com seus ofícios e conquistas.

Tudo decorrente da obstinação de MILTON/ELVIRA que abandonaram os rincões dos Inhamuns, de onde extraíram do seu chão, todos os elementos de edificação dos seus corpos, mas foi em Fortaleza, que seus rebentos serviram com suas forças de inteligência e de lides.

Anos atrás, partira sem nos pedir licença, o patriarca Sr. MILTON, com sua serenidade de um guerreiro obstinado e destemido, levando à  frieza das lápides, toda a imensa dedicação pela família, toda a serenidade que se  derramava pelo seu semblante e toda a sabedoria de um comerciante equilibrado com os pés fincados ao chão, num elenco de sabedoria e segurança.

E hoje, nesta fria tarde de céu plúmbeo e chuvoso, o corpo inerte da inolvidável e guerreira matriarca, Dona ELVIRA GOMES CASTELO, desceu à lápide do abandono, desolada pela noite que se antevia, atendendo sem hesitação ao cruel e impessoal chamado dos comuns, para iniciar o inevitável sono desnudo do fim.

E deixou – nos plenos de saudades e lacunas, dos seus exemplos de uma imensa mãe, de uma despojada esposa sertaneja, e de uma amiga que sabia receber com carinho, simplicidade e atenção os seus amigos, como nós, durante as muitas e inesquecíveis noitadas de estudo para o vestibular nos anos 60.

É um casal que não podemos jogar nos alforjes desprezados das costas, de uma suprema crença na Educação dos amados filhos, e da simpatia, com entornos de amável e cuidadosa mãe que nos recebia.

Isto é impossível deixar dissolver-se nos baús das nossas lembranças, nem na solidão silenciosa daquele invólucro lacrado e coberto de flores, emoldurado pelo verde do contorno da sua eterna morada, que logo mais a noite, o uivar do vento irá repetir seu lúgubre canto de todos os dias, no desalento tedioso da escuridão solitária, com e única imutável vizinhança até voltar ao primitivo, virando como todos nós, CO2 e H2O…..

Confesso que chorei no borborigmo silêncio do meu íntimo contido, lembrando a sua doçura vivida nos anos 60, como se me repassasse um filme completo daqueles belos tempos idos, misturado ainda a saudade aos meus queridos pais, MOURAO& ROSA, seus vizinhos de morada eterna, à  alguns metros dali. ……

Chovia forte ao chegarmos, mas pereceu que os céus queriam homenageá-la e, se agregar às nossas tristes emoções, pois, ao se decidir seguir o féretro à sepultura, a chuva parou completo de semear suas pérolas da fertilidade sobre nós, numa emotiva demonstração de homenagem àquela querida mãe dos meus quatro queridos amigos, dizendo – lhes,  “podem ir pela vida que eu continuarei aqui cuidando, como sempre fiz, de todos vocês.

Com certeza o casal cumpriu muito bem o seu mister aqui na terra e continuarão ao lado do Pai!

Grande abraço do Castelo.