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Notícia - 16/07/2016

Adepol/Ce se posiciona sobre convocação fracionada de novos delegados, inspetores e escrivães

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NOTA DA ADEPOL

A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do CE vem a público indignar-se diante da decisão do Governo do Estado do Ceará, na convocação fracionada e gradativa dos novos delegados, inspetores e escrivães de polícia, ao tempo em que questiona como medida de gestão, a publicação do edital de concurso para o preenchimento de 4.200 vagas para a Polícia Militar, em flagrante preterição aos policiais civis já concursados, formados e treinados para a atividade policial. A volição do Poder Executivo Estadual repercutirá negativamente na estrutura da segurança pública na medida em que persistirá na promoção da desproporção histórica, arraigada e desarrazoada entre o número de policiais militares, voltados ao patrulhamento ostensivo, e a quantidade de policiais civis, inclinados à investigação criminal. Concursos para o seguimento fardado são sempre bem-vindos, mas surpreende que em uma instituição tão carente de pessoal como a Polícia Civil, cujo certame já foi homologado e concluído, os candidatos sejam obrigados a esperar pela nomeação, enquanto que a coirmã conta com chamamento imediato de novos integrantes, num único concurso, em número superior a todo o atual efetivo da Polícia Civil. A postura do Governo do Estado denota desconhecimento do papel constitucional da polícia judiciária e desrespeita sobremodo os concursados à espera da nomeação e posse. A alegação de impossibilidade orçamentária para nomeá-los não se coaduna com o ânimo de promover concurso para provimento de cargos na corporação castrense, cujo número de vagas ultrapassa o efetivo inteiro da Polícia Civil, repisamos. Em outras palavras, vislumbra-se a alocação de recursos ditos inexistentes para avultar um órgão em detrimento de outro. Tal atitude demonstra que a segurança pública não é, por vezes, movida por critérios técnicos, mas rende-se à conjuntura política. Ao longos dos últimos anos, o investimento maciço, sobretudo no policiamento ostensivo, em prejuízo do órgão de investigação não colaborou para a redução da criminalidade. Pelo contrário. Enquanto multiplicou-se a estrutura da Polícia Militar, assistiu-se à escalada contínua do crime organizado que com sua capilaridade penetrou até os rincões mais distantes do Estado do Ceará. Isto é o reflexo do descaso dos nossos governantes, no percurso de vários anos, à investigação criminal mais qualificada. Testemunha-se o ocaso da Polícia Civil, vocacionada para a apuração das infrações penais, e com isso enfraquece-se a repressão a delitos graves, muita vez ocultos aos olhos da população em geral. Entre os anos de 2010 e 2015, inobstante o aumento substantivo do policiamento fardado e presença de policiais nas ruas, recrudesceram os crimes, de modo que a capital alencarina ostenta tristes e cotidianas estatísticas do mapa da violência. Faltam investimentos para a Polícia Civil, cujo trabalho é desnudar as entranhas da macrocriminalidade, enrijecendo-lhe as engrenagens e anulando seu crescimento. Sobrecarregada e reduzida, a Polícia Civil ainda sustenta atribuições estranhas como a custódia de prisioneiros, hoje contabilizados em mais de um milhar, a inundar as delegacias de polícia e desviar os nobres policiais civis de sua vocação originária. O Estado do Ceará ainda é um dos membros da federação a persistir neste cancro institucional, que inviabiliza as ações de polícia judiciária e transparece a gestão equivocada dos recursos, humanos e de capital. Espera-se que o Governo do Estado desperte para a vital importância do órgão de investigação dentro do contexto da segurança pública.

A DIRETORIA

 

Nota publicada no Jornal Diário do Nordeste deste sábado (16), na página 12, editoria de polícia.