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Notícia - 09/03/2017

Violência combatida pelo feminino: Rena Gomes, delegada há 17 anos

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Com o tema Trajetórias de lutas e conquistas femininas contadas em 8 histórias, a delegada Rena Gomes foi destaque entre as mulheres entrevistadas na matéria do Diário do Nordeste desta última terça-feira (7). Confira a reportagem:

Violência combatida pelo feminino: Rena Gomes, delegada há 17 anos

A descrença começa por ser “uma mulher ocupando lugar de homem”, expressão preconceituosa que, segundo ela, fortifica o pensamento de muitos dos homens que cometem agressões

Uma mulher de minorias. A diretora do Departamento de Polícia Especializada, delegada Rena Gomes, assim se considera quando conta o decorrer da sua trajetória e lembra até pouco tempo seu dia a dia era junto à crianças e mulheres.

Antes à frente da Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, onde atuou po 11 anos, era o preconceito e estigma que entoavam os olhares a sua volta, até que a firmeza dos atos e das palavras necessários do cargo a impusesse. Provar a cada contato com o público e, aos próprios colaboradores que trabalham junto à ela, sua capacidade fizeram Rena conviver de perto com o machismo em diversificados níveis.

A descrença começa por ser “uma mulher ocupando lugar de homem”, expressão preconceituosa que, segundo ela, fortifica o pensamento de muitos dos homens que cometem agressões.

Nascida em Morada Nova, no Ceará, Rena conta que sua jornada não é dupla, e, na verdade, tripla. “Família, trabalho e ela”, necessariamente nessa ordem. O dia começa com o esposo e filhos. Mãe de dois meninos, Rena já ultrapassou os 40 anos. Vaidosa, pede que a exatidão da sua idade não seja revelada. Prefere focar na paixão, algo notado ainda na adolescência.

“Há 17 anos sou delegada. Quando terminei a faculdade eu vi que queria atuar na Polícia. Eu sempre fui apaixonada pela parte da profissão voltada para a área social, essa atuação é a minha história de vida”, revela. Ela se orgulha de na profissão trilhar um caminho que contribui para a redução da desigualdade social. Em casa, os dois filhos homens tomam lições em prol da desconstrução da cultura machista para que não sejam um reflexo da parte da sociedade com que Rena já lidou por mais de uma década na Delegacia da Mulher.

“A cultura ainda é muito violenta, é uma cultura de denominação de mulher, é o homem que entende que ela é objeto dele”. A diretora do Departamento de Polícia Especializada admite que as oportunidades para ambos os sexos não são as mesmas, e o papel de uma mulher na Polícia ainda é para muitos algo de menor importância. Ter hora para entrar no trabalho e não ter hora para sair resulta na necessidade de contar com o apoio de outras mulheres para cuidar dos filhos, por exemplo. São parentes ou auxiliares domésticas que passam mais tempo com as crianças ao decorrer dos dias úteis.

“Quando assumi esse cargo me disseram que precisavam de um olhar feminino, isso mostra que a coisa vem se modificar. Não era mais para ser uma questão de ou homem ou mulher, e sim a capacidade de comprometimento com o trabalho. Já temos mais alternativas, melhor perspectiva de vida, estamos ainda mais nas faculdades, mas ainda assim precisamos ser muito melhores que os homens na profissão para receber destaque. É preciso romper de vez paradigmas”, opina.

Confira a matéria na íntegra: Diário do Nordeste

Link: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/violencia-combatida-pelo-feminino-rena-gomes-delegada-ha-17-anos-1.1715230